As empresas brasileiras têm enfrentado crescente dificuldade para atrair profissionais qualificados, e o motivo não está relacionado apenas à oferta de salários competitivos. A mudança de comportamento do trabalhador fez com que critérios como qualidade de vida, flexibilidade e coerência cultural passassem a pesarem mais na decisão de aceitar uma proposta de emprego.
Renata Freires, CEO da RHF Talentos e especialista em gestão de pessoas, observa que muitas organizações ainda não compreenderam essa virada. Segundo ela, a falta de alinhamento com as novas expectativas dos candidatos tem provocado desgaste nos processos de seleção e afastado talentos altamente preparados.
Em análise conduzida pela executiva, cinco fatores se destacam como os principais responsáveis por comprometer o recrutamento.
Principais barreiras identificadas pela especialista:
Rigidez no modelo de trabalho – Empresas que insistem em manter todos os colaboradores presencialmente têm encontrado grande resistência. A flexibilização seja híbrida ou remota tornou-se um pré-requisito básico para boa parte dos profissionais.
Descrição insuficiente das vagas – Anúncios que omitem informações relevantes, como responsabilidades, remuneração ou expectativas, diminuem a confiança do candidato e reduzem o interesse antes mesmo do início do processo.
Seleções longas e complexas – Etapas excessivas, sem critérios claros ou com retornos demorados, geram desgaste e contribuem para a desistência de bons candidatos.
Falta de perspectiva de crescimento – A ausência de um plano de desenvolvimento faz com que o profissional enxergue a vaga como um projeto temporário, sem projeção de futuro dentro da empresa.
Ambiente organizacional incoerente com o discurso – Quando a cultura interna não condiz com o que a empresa divulga, a percepção negativa se espalha rapidamente entre os profissionais, impactando a reputação da marca empregadora.
Para Freires, o cenário atual exige uma revisão profunda de postura. “A possibilidade de escolher quando e como trabalhar não é mais vista como benefício, mas como regra. Quem não entender isso, ficará para trás”, afirma.
De acordo com a executiva, as organizações que demonstram respeito genuíno às pessoas e adotam práticas transparentes têm vantagem competitiva no mercado. “Hoje, o profissional não está apenas buscando emprego. Ele está escolhendo onde quer construir sua trajetória”, ressalta.
A RHF Talentos tem orientado empresas de diversos segmentos a modernizar seus processos de seleção e alinhar cultura e gestão às novas demandas do mercado.
