O etarismo segue sendo um dos maiores obstáculos enfrentados por mulheres no mercado de trabalho brasileiro.
Uma pesquisa recente, intitulada “Panorama de Empregabilidade 2025”, revelou que 33% dos profissionais já sofreram algum tipo de discriminação em seleções, mas entre as mulheres esse número salta para 42%, contra 23% dos homens. A idade aparece como o fator mais citado, afetando 44% das candidatas.
Relatos mostram que recrutadores ainda associam experiência a “excesso de senioridade”, descartando candidatas com mais de 30 anos, mesmo que suas qualificações estejam em sintonia com a vaga.
Casos de editais que limitam idade máxima sem justificativa também foram registrados. Além da idade, pesam preconceitos ligados à classe social e à aparência, reforçando estereótipos que restringem oportunidades.
Especialistas alertam que práticas assim reduzem a diversidade e prejudicam o desempenho das empresas. Renata Freires, CEO da RHF Talentos, destacou que algumas organizações já investem em treinamentos, revisão de descrições de vagas e uso de inteligência artificial para reduzir vieses inconscientes.
Ela reforça que equipes diversas são mais inovadoras e produtivas, e que empresas resistentes à mudança podem perder competitividade.
Outro ponto relevante da pesquisa é a falta de transparência salarial, considerada um dos maiores motivos de desistência em processos seletivos.
A ausência de feedback e a complexidade das etapas também desmotivam candidatos. Nesse contexto, cresce a pressão por processos mais justos, claros e inclusivos.
O etarismo, além de imoral, é ilegal no Brasil, mas ainda persiste como barreira silenciosa que mina carreiras femininas. A tendência, no entanto, é de maior visibilidade e cobrança social, o que pode levar mais empresas a repensarem seus critérios de contratação.

