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Detetives? Bombeiros? Recursos Humanos! O papel do RH no cuidado emocional

Detetives? Bombeiros? Recursos Humanos! 

Julia Rodrigues
Sobre o autor
Assistente de Marketing da RHF Talentos | Copywriter | Content Writer | Filmmaker | Fotógrafa | Roteirista | Social Media
Os Recursos Humanos atua como detetive e bombeiro ao identificar as causas sutis do esgotamento emocional no trabalho e agir antes das crises. Sem substituir a terapia, sua função é oferecer escuta ativa, mediação empática e suporte contínuo para a saúde mental dos colaboradores.

O papel dos Recursos Humanos no cuidado emocional.

Capítulo I: Onde há fumaça, há fogo?

São 8h de uma segunda-feira. Você chega ao seu ambiente de trabalho e é tomado por uma fumaça densa. Essa fumaça não tem cheiro ou cor. Não é quente, nem fria. Não há pessoas correndo, expressões de preocupação ou gritos. Muito menos incêndio aparente.

Você continua a adentrar os espaços. Ao caminhar pelas salas e corredores, observando atentamente seus companheiros de trabalho, você repara em seus semblantes e identifica a mesma expressão no rosto de cada um que chega ao ambiente. A expressão? Cansaço. Um cansaço que dormir não resolveu.

Quando termina a busca pelo foco do incêndio, você repara que há no ar pequenos vestígios, um peso que se instala silenciosamente. O ar que se respira ali entra sem pedir licença. Ninguém escolhe o ar. Há lugares e dias em que se respira mal e ninguém sabe dizer exatamente o porquê. Não há um vilão. Não há um episódio.

Capítulo II: Detetives de causas

Toda investigação começa descartando o óbvio. Não foi uma demissão, pois não houve nenhuma. Não foi a meta, pois essa já foi batida. Não é uma pessoa, porque o cansaço está em todas, inclusive nas que não se falam. Sobram pistas discretas. A reunião que sempre termina cinco minutos depois do horário de saída. O silêncio que ecoa no ambiente, a pressa que já virou paisagem e ninguém mais nota.

Em dias úteis, as pessoas passam mais tempo acordadas dentro da empresa do que dentro de suas casas. Atravessam portas carregando vidas inteiras. Se você é mulher e mãe, sua jornada é tripla e ainda mais complexa: ao trabalho somam-se os afazeres domésticos e o cuidado de quem depende de você. O suporte ao lar envolve esforço físico, mental e emocional constante. O ônibus atrasa, o trajeto de uma hora vira duas, e seu filho olha pela janela à espera.

Sempre há uma escolha a ser feita, seja economizar tempo, dinheiro ou optar por qualidade de vida. E é aí que a investigação chega ao que procurava. A causa nunca aparece como um incêndio. Ela está no que a organização acende sem perceber, todos os dias, dentro do horário comercial. O ar entra pelas janelas, não pede licença e não vem com aviso prévio.

Capítulo III: Bombeiros de um incêndio invisível

Para solucionar a causa da fumaça, são exigidas modéstia, simplicidade e empatia. Não há máscaras a serem designadas, nem dedos a serem apontados. Ensinar alguém a respirar em um ambiente esfumaçado requer temperança, escuta ativa e a capacidade de transformar janelas em portas.

A essa altura você já entendeu que não entrou aqui como visitante. Quem procura o foco do incêndio somos nós!

Somos bombeiros sempre em alerta. Os incêndios com que lidamos queimam devagar, escondidos atrás de portas fechadas, janelas embaçadas, olhares distantes e suspiros prolongados. Não é sobre entrar onde dói em cada um. Não devemos ter esses acessos. Cuidar, aqui, é sobretudo construir passagens e depois sair da frente. 

Como todo ofício, este tem seus ossos e suas doçuras. Quando acertamos, nada acontece. O sucesso tem forma ausente. Ausência não tem apresentação de resultados. Ninguém agradece o ar limpo. O que podemos fazer é garantir que exista uma porta.

Capítulo IV: Sobre portas, janelas e Recursos Humanos

Por definição prática, somos quem cuida das pessoas que trabalham em uma empresa. Cuidamos do clima, e não é força de expressão. Mas há uma fronteira que precisa ficar clara, inclusive para nós. Não somos terapeutas e não deveríamos ser.

Nosso trabalho é garantir que exista uma porta: alguém treinado para escutar, identificar um caminho até a ajuda de verdade, um ombro seguro, em que ser vulnerável não custe o emprego. Atravessar a porta é para quem está lá dentro.

Isso exige uma posição de desconforto permanente. Representamos o empregador e cuidamos de quem é empregado. Sustentar os dois lados, sem trair nenhum, é o que separa o RH que abre portas e janelas do RH que apenas as mantém fechadas para dentro.

Capítulo V: O que sai pela porta

Já são 18h. Ao fim de todos os dias, saem pela porta profissionais que carregam vidas inteiras. Famílias, luto, dívidas, filhos, vidas que a empresa não conhece e não precisa conhecer. Vivemos o mercado todos os dias, orientamos e direcionamos pessoas e empresas. 

Setembro é amarelo, assim como os demais meses para quem está preparado para identificar fumaça antes de um incêndio, construir portas e janelas sem precisar de madeira e ferro. Não adianta tratar o sintoma com a causa ainda acesa. Sejamos, o ano inteiro, os dois lados da mesma janela.

Posfácio: Mas, por onde começar?

Atitudes simples, mas inspiradoras! Este ano em nossa rede de franqueados, destacamos iniciativas desenvolvidas para promover o cuidado, a escuta e a saúde emocional.

Em Itapemirim, no Espírito Santo, nossa franqueada Sabrina Moreira realizou uma ação conscientizadora, distribuindo uma cartilha orientativa, acompanhada de bombons e de uma roda de conversa sobre o tema. A atividade buscou estimular o diálogo, a escuta e o cuidado com as pessoas, reforçando a importância da valorização da vida e contribuindo para um ambiente de trabalho mais acolhedor e humanizado. O momento proporcionou informação e reflexão aos participantes.

Já em São Paulo, a franqueada Karen Bueno promoveu um workshop de arteterapia. Idealizado para mulheres empreendedoras. A proposta da ação foi promover a descompressão, o trabalho em equipe e a expressão das emoções por meio da arte. Durante a atividade os participantes puderam pintar taças de vidro com temas de natureza a partir das suas emoções na vivência. Além disso, houve um momento de conexão entre os presentes desfrutando de queijos e vinho, onde cada pessoa teve o espaço para relatar sua experiência e apresentar seu trabalho.

Aqui na matriz, Elis Almeida,psicóloga, mentora e sócia diretora da RHF Talentos realizou um workshop onde abordou sobre saúde mental sob a perspectiva de quem está à frente das equipes, trazendo sinais de alerta e estratégias de autocuidado para sustentar uma liderança saudável e humana. A palestra foi transmitida on-line e contou com a presença de 60 participantes, sendo disponibilizada para todos os demais que não puderam assistir na hora.

Por mais iniciativas que vão além do formato tradicional 💙.

Nota final: Portas sempre abertas

Se a fumaça já estiver densa demais, existem portas abertas aqui fora também. O CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas por dia, em sigilo, por telefone, chat ou e-mail. Nos CAPS do SUS há acolhimento gratuito.

Essas portas não têm horário comercial. Ficam abertas o tempo todo, à espera de quem quiser atravessar. Hoje, amanhã ou no dia em que der.

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Julia Rodrigues
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