ELA VIROU PSICÓLOGA PARA FAZER JUSTIÇA! | RHF TALK | EP#10

Breve resumo:

No episódio mais sensível e profundo do RHF Talk, Renata Freires e Elis recebem Lara, psicóloga especializada em neurodivergências e autista diagnosticada na vida adulta. A conversa, acolhedora e cheia de aprendizados reais, costura histórias pessoais, desafios familiares e reflexões urgentes sobre inclusão, empatia e o futuro das pessoas dentro do espectro.

Autismo na vida adulta: um diagnóstico que liberta

Lara relata como cresceu sendo vista como “estranha”, “dramática” ou “fresca” — rótulos que mascaravam sinais claros de autismo, TDAH e altas habilidades. Mesmo com seletividade alimentar severa, dificuldades sociais e crises frequentes, o diagnóstico só veio aos 24 anos, após conflitos em ambientes de trabalho cujas demandas não dialogavam com suas particularidades sensoriais e comportamentais. Ela descreve esse momento como libertador, pois finalmente pôde entender seus limites, ajustar expectativas e comunicar melhor suas necessidades.

Adolescência, bullying e saúde mental

A psicóloga revisita uma adolescência marcada por bullying, tentativas de mascarar comportamentos e episódios graves de sofrimento emocional. Sem apoio adequado, desenvolveu depressão e chegou a ter ideação suicida. Lara explica que, para adolescentes autistas, a busca por pertencimento é intensificada e pode gerar comportamentos impulsivos, hiperfoco em relações e dificuldade de interpretar intenções. Para os pais, ela deixa um alerta: adolescentes sempre dão sinais — nem sempre verbais, mas sempre presentes.

Relações, hiperfoco e amadurecimento afetivo

Um dos pontos mais tocantes do episódio é a sinceridade com que Lara descreve seus relacionamentos. Idealizações extremas, crises emocionais e percepções distorcidas levaram a vínculos dolorosos. Já adulta, conheceu o marido e, mesmo sem diagnóstico na época, ele percebeu padrões rígidos e dificuldades sensoriais que hoje fazem sentido. Juntos, aprenderam a alinhar expectativas e a traduzir o afeto em formas compatíveis com seu funcionamento.

Sensório, escola e mercado de trabalho

Renata compartilha experiências com os filhos autistas e, ao lado de Lara, aborda desafios como seletividade alimentar, rigidez cerebral, transtorno sensorial e a falta de preparo das escolas para acolher neurodivergentes. Lara reforça que o Brasil ainda está distante do ideal, tanto na educação quanto no emprego — mas destaca o enorme potencial dos autistas quando atuam em áreas que fazem sentido para eles. Hiperfoco, disciplina e profundidade intelectual são forças, não limitações.

Uma mensagem final

Lara encerra com uma reflexão poderosa: em vez de procurar “consertar” o autista, famílias e profissionais devem enxergar talentos, respeitar limites e resgatar a humanidade perdida nas relações. “Olhem para o potencial. Acreditem. Valorizem o que há de bom. O mundo já mostra defeitos demais.