No episódio mais recente do RHF Talk, Renata Freires e Elis recebem a Dra. Amélia, psiquiatra e sócia da Bimira, para uma conversa profunda e acessível sobre neurodivergência, especialmente TDAH e autismo na vida adulta, com destaque para o impacto nas mulheres e no ambiente de trabalho.
Logo no início, a médica reforça a importância de compreender como essas condições influenciam o funcionamento cerebral e o comportamento cotidiano. Segundo ela, muitos adultos vivem anos sem diagnóstico, criando estratégias de sobrevivência que funcionam por um tempo, mas que acabam gerando exaustão, ansiedade e queda na autoestima. A explosão de informações nas redes sociais tem aumentado o autodiagnóstico, mas não necessariamente a busca por profissionais qualificados — um ponto crítico para um diagnóstico responsável.
TDAH além dos rótulos
A especialista desconstrói a visão simplista do TDAH como “déficit de atenção”. Ela explica que o transtorno está diretamente ligado às funções executivas, comparando o cérebro a uma orquestra cujos músicos são ótimos, mas onde o maestro responsável por planejar, organizar e revisar . Essa metáfora ajuda a compreender por que pessoas com TDAH são criativas e talentosas, mas sofrem com organização, prazos e manutenção de foco.
Nas mulheres, a dificuldade costuma ser ainda mais invisibilizada. Elas, ensinadas desde cedo a serem “comportadas”, tendem a mascarar sintomas, o que atrasa o diagnóstico. Muitas chegam à vida adulta com sensação de inadequação, culpa constante e um cansaço emocional profundo.
Autismo na adultice e o peso das comorbidades
A conversa aprofunda também o autismo em adultos, ressaltando características como rigidez, hipersensibilidade sensorial e necessidade de rotina. Dra. Amélia lembra que 80% dos autistas apresentam alterações de sono e que há maior risco de depressão e ansiedade — fatores que podem aumentar a vulnerabilidade emocional se não forem compreendidos e acolhidos.
O papel das empresas
As anfitriãs trazem exemplos reais do RH, mostrando como a falta de entendimento pode fazer empresas perderem talentos. A médica reforça que adaptação, informação e método são essenciais. Estratégias simples — como listas de tarefas, metas fracionadas e pausas planejadas — podem transformar performances e preservar a saúde emocional do trabalhador.
